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Impactos da crise na inclusão digital

TI comenta iniciativas de banda larga

Os sucessivos aumentos na taxa cambial decorrentes da instabilidade financeira deverão ter pouco impacto no forte ritmo de inclusão social registrado no Brasil nos últimos anos, defende Rogério Santanna, secretário de Logística e Tecnologia da Informação do Ministério do Planejamento no Podcast IDG Now! desta semana.

Santanna, que esteve no primeiro Podcast IDG Now! em 2006, alega que, mesmo com os aumentos, a taxa cambia ainda se mantém abaixo das registrada quando o Governo Federal começou a implementar políticas que levaram à maior compra de computadores, como a isenção dos impostos PIS/Cofins sobre máquinas de até 4 mil reais.

No Podcast IDG Now!, o secretário também detalha também os diferentes papéis que LAN houses e telecentros ocupam no panorama de inclusão digital brasileiro e culpa a desigualdade social e a falta de educação formal como fatores significativos na atual exclusão digital brasileira.

Santanna ainda detalha em quais setores tecnológicos a atuação do Governo Federal poderia ser melhor e descreve melhorias que os planos de governo digital poderão sofrer até o final do mandato do presidente Lula.

Fonte: IDG Now

A cauda longa da economia digital

O que se pode esperar quando a economia da escassez der lugar à abundância, o custo de estocagem e logística chegar a zero e a disponibilidade para a oferta e demanda de itens tornarem-se praticamente infinitas?

Lembro-me muito bem na década de 80, durante minha adolescência no interior do Estado de São Paulo, o acesso que eu tinha aos poucos programas na TV, transmitidos por broadcast para milhões de brasileiros. Era uma mesmice acentuada toda semana. Os grandes sucessos na programação eram raros, mas encantavam multidões quando aconteciam. O cinema era uma outra opção sofrível, principalmente devido à demora acentuada para os poucos bons filmes chegarem às salas fora das grandes Capitais - o mundo era pequeno sem a Internet.

O desafio agora é o reverso: como fazer chegar milhões de opções a cada indivíduo, único no mundo? Chris Anderson, editor-chefe da revista Wired, explorou pela primeira vez o conceito da “cauda longa” em um artigo publicado em outubro de 2004, The Long Tail, que resultou num blog e livro de mesmo nome.

No mundo pós-Internet, está em jogo a fragmentação de mercado como uma das poucas formas que restam para garantir a continuidade dos lucros em qualquer negócio. Produtos e serviços de nichos podem ser economicamente tão atrativos quanto os “grandes hits” – aqueles que vendem muito no mercado de massa. Representa o fim (ou coexistência) daquele antigo mercado de escassez ou falta de opções, as quais limitavam as escolhas, para um novo e inexplorável mercado de abundância, sem precedentes, com inúmeras ou até mesmo infinitas possibilidades disponíveis.

Há alguns anos, a economia tradicional já traz “pequenos sinais”, os quais serão muito explorados similarmente na economia digital. Por exemplo: água e sabão já não solucionam 90% das etapas de uma faxina doméstica. Nas prateleiras físicas (limitadas pelo espaço) de um hipermercado, multicoloridas embalagens de produtos de limpeza com tamanha variedade de escolhas, desorientam qualquer um: multiação, tira-limo, limpeza profunda, banheiro, ação germicida, bactericida – só este último tipo de desinfetante, na série “citrus”, dividi-se em outras seis opções conforme a fragrância: original, limão, eucalipto, lavanda, laranja e menta.

Opções para atender situações variadas, mas, por outro lado, quase sempre criam o bloqueio natural da decisão de compra pela carência de “argumentos reais” convincentes ou de uma simples explicação de “uso apropriado” desses inúmeros itens.

O desafio para a expansão do “mercado de nichos” encontrará na Internet outras duas grandes ferramentas indispensáveis, além da disponibilidade da oferta:

A primeira, facilidade de escolha - a tecnologia de busca minuciosa ou “categorização eletrônica” de opções permitirá abusar do uso de “filtros” eficientes e adequados para localizar rapidamente e minuciosamente o que se quer.

A segunda, recomendação pública - a forma de coletar “experiências” práticas ou opiniões vivenciadas por pessoas do mundo todo (não mais apenas dos vizinhos, parentes, amigos próximos ou conhecidos do bairro), para auxiliar na tomada de nossas decisões. Para realizar a tarefa de faxina “dos tempos modernos”, a opinião de uma empregada doméstica valerá mais que ouro.

Cria-se um elo da economia tradicional com a digital, mas com muito mais facilidades disponíveis ao simples toque de nossos dedos. Uma nova forma de vislumbrar alterações do princípio de Pareto, também conhecido como regra 80-20 (ex: 80% das vendas provêm de 20% dos produtos) que pode chegar aos “98% em 90 dias” (venda de todos os produtos do estoque pelo menos 1 vez no período de 90 dias).

Segundo o instituto eMarketer, nos EUA, para cada US$ 1 vendido no mercado on-line, a Internet influencia o gasto de outros US$ 3,45 em lojas físicas, uma grande interação entre as “duas economias”.

Enquanto o mercado de varejo on-line norte-americano vendeu US$ 136,4 bilhões, em 2007, o Brasil atingiu a cifra de R$ 6,3 bilhões nas vendas on-line de bens de consumo, com o número de “e-consumidores” brasileiros chegando a 9,5 milhões de pessoas.

A economia digital já não é mais uma “aposta”. Bons e contínuos resultados perdurarão por muitos anos.

Fonte: baguete



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