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O melhor momento em quatro décadas

Livros de Tezza vive maior evidência e reconhecimento

Se um homem pode ser definido pelas suas obsessões, o catarinense radicado em Curitiba Cristovão Tezza construiu a própria trajetória a partir de uma única obsessão: tornar-se escritor. Quarenta anos de prática, 13 livros publicados e ele se torna agora em 2008, fato consumado, um nome conhecido e reconhecido no mapa literário brasileiro.

Dois cineastas de reputação nacional cogitam transformar em filme O Filho Eterno, o seu mais recente romance, que abocanhou alguns dos mais importantes prêmios literários, o APCA, o Jabuti, o Bravo! e o Portugal Telecom – e a obra ainda está no páreo pelo Prêmio São Paulo, a ser divulgado quando dezembro chegar.

Essa notoriedade provocou fissuras na rotina de um sujeito que, de maneira geral, passa a maior parte das 24 horas dentro do apartamento em que vive, na Rua General Carneiro. Ele se ausenta, sobretudo, para ministrar 12 horas semanais de aulas na reitoria da UFPR, a menos de cem passos do seu portão.

Excetuando esse compromisso, o resto do tempo é consumido principalmente com a família e, nesse novo espaço-tempo, com a imprensa. O Filho Eterno foi traduzido para o italiano e em breve será editado em Portugal, na França, Espanha (em espanhol e em catalão), Austrália e Nova Zelândia. As entrevistas são muitas, em diversos idiomas, diariamente.
Cronologia

A seguir, alguns dos momentos-chave da trajetória de Cristovão Tezza.

1952 – Nasce, em Lages (SC).

1959 – Morre o pai. Em 1961, a família migra para Curitiba.

1968 – Integra o Centro Capela de Artes Populares (CECAP), dirigido por W. Rio Apa.

1970 – Concluiu o ensino médio no Colégio Estadual do Paraná.

1974 – Viaja para Portugal com a finalidade de cursar Letras na Universidade de Coimbra, mas a Revolução dos Cravos fecha a instituição. Peregrina durante um ano pela Europa.

1988 – Publica Trapo, que evidencia o seu nome em âmbito nacional.

1998 – O romance Breve Espaço Entre Cor e Sombra é contemplado com o Prêmio Machado de Assis da Biblioteca Nacional (melhor romance do ano).

2007 – Em julho, publica o romance O Filho Eterno. Em dezembro, o livro recebe o Prêmio da APCA (Associação Paulista dos Críticos de Arte) como melhor obra de ficção do ano.

2008 – Em setembro, O Filho Eterno vence o prêmio Jabuti na categoria melhor romance. Em outubro, abocanha o 4º Prêmio Bravo! Prime de Cultura e consagra-se como o grande vencedor do Prêmio Portugal Telecom 2008 (este com premiação de R$ 100 mil).

Nas paredes da sala, estantes (construídas por ele mesmo) comportam 2 mil livros, alguns dos quais ele escreveu, outros que resenhou para os jornais Folha de S.Paulo e O Estado de S.Paulo e revista Veja, veículos que passaram a requisitar textos críticos com a assinatura Cristovão Tezza. Perto dos livros, quadros.

Alguns deles, reproduções praticamente perfeitas de Van Gogh e Matisse, feitas por Tezza. Ele, que já foi relojoeiro, também faz reparos elétricos (para consumo próprio). “Sou do lema faça-você-mesmo.” Só não conserta encanamento de água. E não tem trabalhado (intensamente) no próximo livro, o sucessor de O Filho Eterno. Mas a futura obra já está em progresso.



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