O grupo Shama, Ong" href="/busca/categorias/noticia/ong.html">Ong que apóia homossexuais e portadores do vírus HIV em Uberlândia desde 2003, enfrenta um impasse: pode perder a verba de R$ 72 mil liberada pelo governo do Estado, caso não encontre um espaço físico até dezembro para montar uma academia que atenda soropositivos com lipodistrofia (mudança na massa corpórea devido ao uso do coquetel de medicamentos).
O dinheiro para o Projeto Saúde Academia, segundo o presidente da entidade, Marcos André Martins, é suficiente apenas para adquirir os equipamentos convencionais para a prática de exercícios.
A ajuda de educadores físicos, nutricionistas e fisioterapeutas está em negociação com o Centro Universitário do Triângulo (Unitri), que também dispõe de profissionais para outros dois projetos da ONG.
“Agora precisamos de um espaço, com uns 300 m2 para acomodar os equipamentos e que seja acessível, já que essas pessoas usam cadeiras de rodas, muletas e precisam pegar ônibus”, afirmou Marcos André.
O presidente da ONG procurou as secretarias de Cultura, Desenvolvimento Social e de Saúde, mas os ofícios, assinados pelos secretários Mônica Debs, Iracema Barbosa e Gladstone Cunha informam que os órgãos não dispõem de local.
Em nota, a Secretaria de Gestão Estratégica e Comunicação (Segesc) diz que “o setor público municipal trabalha com planejamento. Assim, uma demanda que chega em outubro não oferece tempo hábil suficiente para definição de projetos de qualquer natureza.
A Segesc ressalta que a Prefeitura tem apoiado ações e eventos desta natureza, a prova é a participação por intermédio de suas secretarias em eventos e atividades promovidos pelo Shama e outras entidades do Município.”
O grupo Shama tem 150 associados, mas recebe, por mês, 200 pedidos de ajuda de soropositivos e homossexuais. Os serviços oferecidos são o Balcão Jurídico, financiado pela União e que prevê advogados para portadores de HIV, homossexuais e seus familiares, além do projeto Resgate Social, com apoio do governo do Estado, e que presta serviço de assistência social ao mesmo grupo. “São serviços apenas para pessoas e famílias carentes, que não têm condição de pagar pelo trabalho. Vai ser assim também para a academia. Com a conquista do local, vamos colocar os três projetos no mesmo lugar”, disse Marcos.
1,8 mil pessoas fazem tratamento com coquetel
Uberlândia tem 1.846 pessoas portadoras do HIV que já manifestaram alguns sintomas da aids e fazem tratamento com o coquetel. De acordo com o Ministério da Saúde, o sistema de contagem considera somente o paciente que faz tratamento com o medicamento. Em Uberlândia existem duas unidades que entregam o coquetel, sendo elas o Ambulatório Municipal Herbert de Souza e a UFU.
Atividade física ameniza quadro
A lipodistrofia é o nome dado às mudanças na forma do corpo do paciente soropositivo tratado por coquetel antiaids. Segundo o infectologista Marco Túlio Alvarenga Silvestre, existem dois tipos: a atrófica, que é a perda de massa muscular na face, braços, pernas e nádegas, e a hipertrófica, que é o acúmulo de gordura nas costas, barriga e mama. “O exercício físico ameniza principalmente a atrófica, porque fortalece a massa muscular e os efeitos colaterais ficam menos visíveis”, afirmou o médico. Ainda segundo o infectologista, o problema não causa dores no corpo. “A questão é mesmo estética”, disse.
Grupo Shama
Avenida Rio Branco, 750 – Centro
Telefone: (34) 3210-2124